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Os olhares cruzaram-se, e apenas alguns milésimos de segundos e um sorriso agudo foram precisos para que um encanto se formasse. Depois uma conversa, uma troca de informações e mais sorrisos, estava tudo feito. Assim eram os dias, nas mais belas cantorias. Algo proibido, misterioso, inaudível. A garota apaixonou-se, e o garoto sabendo disso gozou de seu mas belo papel. Ficou então combinado, ela sorria, ele balançava a cabeça. Ela falava, ele não a ouvia. Ela o seguia, ele a despistava. Até que a garota, em um estado já deplorável por catar sempre as migalhas, resolveu balançar a cabeça, não escutar e sempre despistar.
Os caminhos separavam-se como era no começo. Nem mesmo horas a fio consertava o encanto. Outros sorrisos vieram, outras conversas, outras cantorias. Mas no fundo, a garota ainda lembra-se dos olhares cruzando-se, e do amanhecer lindo nos sorrisos dele.
Assim o tempo foi passando. E apenas o que os unia era um minúsculo laço fictício que ambos não queriam que terminasse. O garoto, agora apaixonado, tentava repetir as cenas do dia-a-dia, e a garota ainda machucada, achava que ele estava de brincadeira. Mais dias. Com novos sorrisos... E o encanto passou a perder-se com o tempo, misturado a um rancor acometido e de um ódio deplorável.
Será que o encanto perdeu-se?
Será apenas imaginação?
Afinal, como é que se diz ‘’eu te amo’’?
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